Presidente Prudente tem condições de retomar protagonismo no esporte nacional: ‘É questão de trabalhar’, diz Feitosa

Em entrevista exclusiva, dirigente relembra o auge do sucesso em modalidades como o basquetebol feminino e projeta ideias de soluções para o futuro.

Por: TV Fronteira e ifronteira.com
30/05/2026 às 12:48
Antônio de Figueiredo Feitosa acredita que Presidente Prudente (SP) tem condições de voltar a ocupar um lugar de destaque no cenário esportivo |
Antônio de Figueiredo Feitosa acredita que Presidente Prudente (SP) tem condições de voltar a ocupar um lugar de destaque no cenário esportivo | Foto: TV Fronteira

Natural de Marabá Paulista (SP), que na época pertencia a Presidente Venceslau (SP), ele se tornou um dos principais dirigentes esportivos da história do Oeste Paulista. Também foi empresário e recentemente retornou a Presidente Prudente (SP), onde criou um grupo focado para discutir as questões do esporte local. Desde os 14 anos de idade, Antônio de Figueiredo Feitosa sempre se interessou por rádio e locução. Foi na Rádio Brasil, de Santo Anastácio (SP), que se tornou repórter e narrador das equipes amadoras da cidade. Aos 17 anos, no final do ano de 1963, se mudou para Presidente Prudente para trabalhar na Rádio Difusora. Daí em diante, não mais parou de superar desafios que lhe garantiram um lugar de destaque na história do esporte.

Em entrevista exclusiva concedida à TV Fronteira e ao ifronteira.com, Feitosa rememorou, durante quase uma hora ininterrupta de conversa com os jornalistas Luís Augusto Pires Batista e Gelson Netto, os fatos marcantes que viveu ao longo de sua trajetória profissional repleta de conquistas. As lembranças percorreram desde os grandes jogos de futebol disputados pelos saudosos times que colocaram Presidente Prudente na elite paulista, ou seja, o Corintinha e a Prudentina, a criação da Autarquia Municipal de Esportes de Presidente Prudente (Amepp), a construção do Estádio Prudentão, do Parque de Uso Múltiplo (PUM) e do Centro Olímpico, a primeira realização dos Jogos Abertos do Interior (JAIs) em Presidente Prudente e a formação da incrível e memorável equipe de basquetebol feminino da Apea liderada pela Rainha Hortência.

Mas, se você pensa que Feitosa só vive dos feitos do passado, está muitíssimo enganado! Na entrevista, ele ainda preocupou-se em abordar os projetos, ideias e pensamentos que tem desenvolvido junto a um grupo temático criado justamente para discutir propostas capazes de ajudar a recuperar o prestígio de Presidente Prudente no cenário esportivo. Para ele, Presidente Prudente tem plenas condições de voltar a ocupar um lugar de destaque no esporte, mas, para que isso aconteça, "é questão de trabalhar".

 

Confira, no vídeo abaixo, a íntegra da entrevista:

 

 

 

Amepp

 

A Autarquia Municipal de Esportes de Presidente Prudente (Amepp) foi fundada em 1978, durante o primeiro mandato do prefeito Paulo Constantino, eleito para o cargo em 1976, e teve participação direta e entusiasmada de Antônio de Figueiredo Feitosa.

 

“Em 1977 iniciou o mandato dele, mas eu não queria participar da equipe. Eu nunca fui conformado de Comissão Municipal de Esportes e nem de Comissão Central, porque ela não te dá autonomia, não te deixa trabalhar, você não tem verba, não tem recurso, não tem orçamento, não tem nada”, contou Feitosa.

 

Segundo o dirigente, foi levantada a bandeira para a criação de uma autarquia, cujo modelo era o de Maringá (PR) e Londrina (PR). “Depois Presidente Prudente passou a ser modelo para o resto do Brasil”, detalhou.

Em 1º de julho de 1978, Feitosa assumiu a Amepp e, juntamente com sua equipe, levou a autarquia aos Jogos Regionais de Penápolis (SP).

 

“Nós tínhamos várias ideias. Quando elegemos a autarquia, nós definimos vários pilares. Tinha o entretenimento e o lazer que atendia os bairros fundamentalmente. Começamos pequenos. Decidimos também todas as modalidades olímpicas, começamos com o que [Presidente] Prudente tem e montamos as equipes”, complementou.

 

De acordo com Feitosa, não tinha comissão municipal. Ele e outros dirigentes filiaram essas equipes em quatro clubes.

 

“Na Prudentina três modalidades, no Tênis Clube três modalidades, no Ipanema três, no San Fernando Clube de Campo três. Nesses quatro clubes nós tínhamos 12 modalidades olímpicas que passaram a disputar. Então, você passa a ter orçamento de competição. Taxas de federações”, relembrou o empresário.

 

O dirigente esportivo Antônio de Figueiredo Feitosa fundou a Autarquia Municipal de Esportes de Presidente Prudente (Amepp) | Foto: TV Fronteira

 

O dirigente recordou também das antigas parcerias que conseguiu ao longo dos anos para alavancar a autarquia e conseguir levar o nome da Amepp para outras regiões.

 

“A Andorinha nos ajudava, o Pedrinho da Motta, da Viação Motta, nos ajudava. Então, nós tivemos muita ajuda da cidade”, contou.

 

Com a consolidação do projeto, a autarquia começou a sonhar mais alto e passou a brigar por competições federadas de basquete e vôlei.

 

“Passamos a disputar o Troféu Bandeirantes, Jogos Regionais, Jogos Abertos do Interior. Campeonatos da federação de basquete e voleibol. No voleibol fomos campeões da Primeira Divisão, sem contar as histórias da Prudentina de basquete”, disse Feitosa.

 

Segundo ele, o orçamento aumentou e a autarquia buscava recursos próprios dentro de Presidente Prudente. “Depois fomos para a área de patrocínios e a coisa mudou”, afirmou.

 

“Tudo isso [filosofia de trabalho] nasceu dentro da autarquia. Quando o Paulo Constantino assumiu, o dinheiro já estava depositado no dia 31 de dezembro no último dia da gestão [anterior]”, relembrou.

 

Feitosa explicou que o ex-prefeito começou com o orçamento disponível, mas, além disso, a autarquia teve participações em grandes investimentos no setor esportivo da cidade.

 

“Teve a participação da equipe da Amepp no Centro Olímpico, demos muitas sugestões, o Paulo, um esportista nato, comprou as ideias. Centro Olímpico, Parque de Uso Múltiplo [PUM], quadras polivalentes, e isso foi para a cidade com estádios de futebol, os campos de futebol, Vila Regina, Prudentão, Rio 400”, comentou.

 

Ele reforçou a lembrança da reativação de uma piscina que estava abandonada na Vila Marina. “Nós reativamos e fizemos um clube social com sócios que pagavam taxas, uma coisa simbólica. Ali tinha aula de natação e um campo de futebol”, pontuou.

“Então, a infraestrutura esportiva municipal cresceu muito. Isso foi muito forte. O Ginásio de Esportes era o epicentro das atividades esportivas”, concluiu Feitosa sobre os investimentos na cidade.

 

Jogos Abertos do Interior

 

Em 1980, a chegada dos Jogos Abertos do Interior a Presidente Prudente foi um marco histórico. Segundo Feitosa, existem os Jogos Abertos antes e depois de Presidente Prudente.

 

“Na cidade, foi montada uma central para noticiar sobre os Jogos Abertos do Interior. Quando terminava uma partida, todas as praças esportivas já ficavam sabendo o resultado. Tinha um jornal feito pelo comitê, Jornal dos JAIs [Jogos Abertos do Interior], que era distribuído na madrugada, até 3h da manhã já estava em todos os alojamentos”, recordou.

 

Na época, a grande crônica esportiva nacional deslocou-se a Presidente Prudente para noticiar os Jogos Abertos do Interior.

 

“Vieram transmitir as decisões de basquete feminino, faziam boletins diariamente. A propagação pela Rádio Excelsior, que na época era o Osmar Santos, da Rádio Bandeirantes, da Rádio Tupi. Nós alimentamos o Brasil. No outro dia, os grandes jornais tiveram páginas, Folha de São Paulo, o Estadão, Diário da Noite, eram páginas [noticiando os jogos]”, comentou Feitosa.

 

Basquete feminino: o auge

 

O basquete feminino tornou-se, em 1978, a principal modalidade da Amepp.

 

“Demos uma incrementada, ainda tudo amador. Em 1979, eu estava como delegado da Seleção Paulista disputando o Brasileiro em São Luís [MA]. Eu fiquei impressionado com cinco jogadoras do Maranhão, e nós contratamos as cinco jogadoras”, contou o dirigente.

 

Na época, a Amepp trouxe a Rosemeire, que jogou na Seleção Brasileira, a irmã dela, a Raquel, além da cestinha Rold, a pivô Paula e depois a Silvana, armadora que também foi convocada para representar o país.

 

“Nós fomos para 5º lugar no Estado e, em seguida, o projeto, em 1979, veio o convênio com a Prudentina em outros termos. Até então, era só pra disputar campeonatos, pagar as taxas de federação. O basquete feminino chegou a ficar em 4º lugar e o voleibol, na faixa de dois anos de trabalho, e consequentemente o basquete feminino foi o carro-chefe”, relembrou.

 

A equipe de 1980 foi modelada a partir dos elencos de 1978 e 1979. “Em 1981, já melhoramos trazendo reforços de outras equipes. Em 1982, vem a chegada da Hortência, da Vânia e da Vanira”, contou.

 

“Então, o basquete já começou dentro da Amepp. Por isso, o Poder Público é fundamental, ele é o estimulador e alavanca, e a Amepp foi atrás. Aí o voleibol cresceu, o feminino e o atletismo. Fomos buscar os melhores atletas no norte do Paraná, aqui na Alta Paulista. A autarquia foi um agente fomentador”, afirmou Feitosa.

 

O dirigente esportivo Antônio de Figueiredo Feitosa atuou diretamente na vinda de Hortência para o time de basquetebol feminino da Apea | Foto: TV Fronteira

 

‘Hortência já era um talento raro’

 

A presença estelar de Hortência no time de basquetebol feminino da Associação Prudentina de Esportes Atléticos (Apea) colocou o esporte de Presidente Prudente no cenário mundial. E Feitosa teve atuação direta e decisiva neste momento histórico.

 

“Ela [Hortência] tinha uma ligação muito forte com o professor Waldir Pagan Peres, que eu também tinha uma ligação, porque, estando na Federação Paulista, eu estava na Confederação Brasileira de Basquete. Eu já era diretor nacional de seleções e rodava o mundo com a Seleção Brasileira”, contou.

 

No início do projeto, a previsão era a contratação da Paula, por ser de Osvaldo Cruz (SP), mas não aconteceu. Após conversas com Waldir, a Hortência também se tornou um objetivo, ela que “já era um talento raro”.

 

“Quando ela [Hortência] veio para Prudente, nós fizemos um projeto de marketing. Veio patrocínio e vieram as conquistas. Aqui a Hortência se transformou, porque tinha um polimento de marketing em função dela. Aqui vieram jogos pela televisão, veio o Luciano do Valle. Foram transmitidos jogos ao vivo da Seleção Brasileira e da Prudentina no Ginásio de Esportes e no ginásio da Apea", explicou o dirigente.

 

Com a liderança de Hortência, a Prudentina conquistou títulos nacionais e internacionais que fizeram o nome de Presidente Prudente aparecer em destaque em todo o planeta no início da década de 1980.

 

Perda de espaço no esporte

 

A característica do esporte brasileiro, embora tenha se profissionalizado, depende de alguém querer, de ter vontade de ir a campo e dar a cara a tapa para bater, muitas vezes com sacrifício pessoal e financeiro.

 

“Aqui em Presidente Prudente batemos na porta da Prefeitura, o pessoal tinha influência, usava política, amizade e recursos do empresariado e do Poder Público Municipal”, afirmou Feitosa.

 

Conforme o dirigente, o esporte em Presidente Prudente sempre teve potencial e poderia ter continuado em alta no Brasil, como nos tempos da Hortência.

 

“Agora, precisa alguém querer. Poderia ter continuado? Poderia. Como acontece em Franca [SP], altos e baixos de vez em quando, mas vão continuando. Sempre tem alguém que vem, que pega e que leva. É uma pena. Agora, dá para fazer hoje? Dá. Dá para fazer agora? Dá. É questão de trabalhar”, projetou Feitosa.

 

‘Pelo Esporte e Por Prudente’

 

 

O grupo “Pelo Esporte e Por Prudente" é constituído por pessoas com atuação como dirigentes, treinadores, professores, gestores e comunicadores que buscam recolocar Presidente Prudente nos holofotes do esporte nacional.

 

"Eu estava em São Paulo, e vinha duas vezes ao ano a Presidente Prudente. Levamos quem está à frente, quem está no comando, quem pode fazer, quem pode contribuir metodologicamente, cientificamente, e vamos para o quinto ano. Nos encontramos uma vez por mês e trocamos sempre um debate, reunindo essas pessoas que muito fizeram pelo esporte em Prudente”, concluiu.